quarta-feira, 10 de outubro de 2012

É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste. É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada. É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre. É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia. É difícil reparar no que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua. É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Vão-se foder

"Vão-se foder. Na adolescência usamos vernáculo porque é “fixe”. Depois deixamo-nos disso. Aos 57 sinto-me novamente no direito de usar vernáculo, quando realmente me apetece e neste momento apetece-me dizer: Vão-se foder! Trabalho há 43 anos. Sempre por conta de outrém. Acreditei, desde sempre, que fruto do meu trabalho, esforço, dedicação e também, quando necessário, resistência à frustração alcançaria os meus objectivos. E, pasme-se, foi verdade. Aos 57 anos trabalho na minha área sou feliz com o que faço, Por isso explico já, o que vou escrever tem pouco (mas tem alguma coisa) a ver comigo, dou-me a pequenos luxos aqui e ali. Mas faço as minhas contas, controlo o meu orçamento, não faço tudo o que quero e sempre fui educado a poupar. Vivo, com a satisfação de poder aproveitar o lado bom da vida fruto do meu trabalho e de um ordenado que batalhei para ter. Sou uma pessoa de muitas convicções, mas como sou um pouco dado a extremismos sempre fui votando no PCP. Mas de IDEIAS, estou farto. O que eu quería mesmo era ACÇÕES, e sobre as acções que tenho visto só tenho uma coisa a dizer: vão-se foder. Todos. De uma ponta à outra. Desde que este pequeno, mas maravilho país se descobriu de corda na garganta com dívidas para a vida nunca me insurgi. Ouvi, informei-me aqui e ali. Percebi. Levaram-me metade do subsídio de Natal e eu não me queixei. Perante amigos e família mais indignados fiz o papel de corno conformado: “tem que ser”, “todos temos que ajudar”, “vamos levar este país para a frente”. Cheguei a considerar que certas greves eram uma verdadeira afronta a um país que precisava era de suor e esforço. Sim, eu era assim antes de 6ª feira. Agora, hoje, só tenho uma coisa para vos dizer: Vão-se foder. Matam-nos a esperança. Onde é que estão os cortes na despesa? Porque é que o 1º Ministro nunca perdeu 30 minutos da sua vida, antes de um jogo de futebol, para nos vir explicar como é que anda a cortar nas gorduras do estado? O que é que vai fazer sobre funcionários de certas empresas que recebem subsídios diários por aparecerem no trabalho (vulgo subsídios de assiduidade)?… É permitido rir neste parte. Em quanto é que andou a cortar nos subsídios para fundações de carácter mais do que duvidoso, especialmente com a crise que atravessa o país? Quando é que páram de mamar grandes empresas à conta de PPP’s que até ao mais distraído do cidadão não passam despercebidas? Quando é que acaba com regalias insultosas para uma cambada de deputados, eleitos pelo povo crédulo, que vão sentar os seus reais rabos (quando lá aparecem) para vomitar demagogias em que já ninguém acredita? Perdoem-me as chantagem emocional senhores ministros, assessores, secretários e demais personagem eleitos ou boys desta vida, mas os pneus dos vossos BMW’s davam para alimentar as crianças do nosso país (que ainda não é em África) que chegam hoje em dia à escola sem um pedaço de pão de bucho. Por isso, se o tempo é de crise, comecem a andar de opel corsa, porque eu que trabalho há 43 anos e acho que crédito é coisa de ricos, ainda não passei dessa fasquia. E para terminar, um “par” de considerações sobre o vosso anúncio de 6ª feira. Estou na dúvida se o fizeram por real lata ou por um desconhecimento profundo do país que governam. Aumenta-me em mais de 60% a minha contribuição para a segurança social, não é? No meu caso isso equivale a subsídio e meio e não “a um subsído”. Esse dinheiro vai para onde que ninguém me explicou? Para a puta de uma reforma que eu nunca vou receber? Ou para pagar o salário dos administradores da CGD? Baixam a TSU das empresas. Clap, clap, clap… Uma vénia! Vocês, que sentam o já acima mencionado real rabo nesses gabinetes, sabem o que se passa no neste país? Mas acham que as empresas estão a crescer e desesperadas por dinheiro para criar postos de trabalho? A sério? Vão-se foder. As pequenas empresas vão poder respirar com essa medida. E não despedir mais um ou dois. As grandes, as dos milhões? Essas vão agarrar no relatório e contas pôr lá um proveito inesperado e distribuir mais dividendos aos accionistas. Ou no vosso mundo as empresas privadas são a Santa Casa da Misericórdia e vão já já a correr criar postos de trabalho só porque o Estado considera a actual taxa de desemprego um flagelo? Que o é. A sério… Em que país vivem? Vão-se foder. Mas querem o benefício da dúvida? Eu dou-vos: 1º Provem-me que os meus 7% vão para a minha reforma. Se quiserem até o guardo eu no meu PPR. 2º Criem quotas para novos postos de trabalho que as empresas vão criar com esta medida. E olhem, até vos dou esta ideia de graça: as empresas que não cumprirem tem que devolver os mais de 5% que vai poupar. Vai ser uma belo negócio para o Estado… Digo-vos eu que estou no mundo real de onde vocês parecem, infelizmente, tão longe. Termino dizendo que me sinto pela primeira vez profundamente triste. Por isso vos digo que até a mim, resistente, realista, lutador, compreensivo… Até a mim me mataram a esperança. Talvez me vá embora. Talvez pondere com imensa pena e uma enorme dor no coração deixar para trás o país onde tanto gosto de viver, o trabalho que tanto gosto de fazer, a família que amo, os amigos que me acompanham, onde pensava brevemente ter filhos, mas olhem… Contas feitas, aqui neste t2 onde vivemos, levaram-nos o dinheiro de um infantário. Talvez vá. E levo comigo os meus impostos e uma pena imensa por quem tem que cá ficar. Por isso, do alto dos meus 57 anos digo: Vão-se foder."

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

SILÊNCIO O que é silêncio? Um punhado de nada que nos agarra com tudo, um vazio que nos completa, um amor que nos ressuscita? Ou será apenas uma linha do tempo onde nos deitamos e deixamos ir, uma corrente de ar que nos suga ou uma gota de água que não molha?

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Apontamentos

Vagas

Por um lado, aumentam diariamente os pais que tiram os filhos dos colégios privados, porque já não suportam pagar as mensalidades. Concomitantemente, crescem diariamente as dificuldades desses pais em matricular os filhos em escolas públicas porque estas... estão lotadas.
O novo ministro da Educação, o matemático Nuno Crato, homem tido como inteligente, culto e empenhado nas questões do Ensino e da Educação tem já aqui matéria concreta onde meter mãos à obra.

Gelados

Foi notícia de primeira página no Jornal de Notícias e é coisa merecedora do destaque: imagine-se que um homem vai ser julgado em tribunal por ter furtado três gelados no IKEA de Matosinhos no valor de 2,40 euros, «arriscando-se» a uma multa de 100 euros.
O que o Estado paga – ou gasta, tanto faz – para julgar este sinistro assalto de 2,40 euros dava para empanturrar o arguido de gelados até vir a mulher da fava rica. Quanto ao IKEA, é capaz de não ir muito longe com este «combate ao roubo» com participações de furtos de dois euros.
Finalmente, quantos roubos realmente graves e pesados, de colarinho branco ou mesmo sujo, não continuam à espera de investigações e julgamentos que, ao menos, levem alguém a tribunal?

Fisco

É um número oficial: há neste momento, na «lista negra» do Ministério das Finanças com o nome dos contribuintes que têm dívidas ao Fisco, qualquer coisa como 42874 devedores (quase 43 mil), totalizando no conjunto a astronómica cifra de 3200 milhões de euros em dívida.
Consta que esta «lista de devedores» já chegou a um total de 92 mil contribuintes desde que foi criada, tendo, entretanto, mais de metade optado por pagar as verbas em dívida para «tirar o nome» da lista, o que proporcionou aos cofres do Estado o encaixe de 1200 milhões de euros.
Desconfiamos que estará a chegar ao limite, esta capaciade dos contribuintes devedores em se empenharem a pagar para «tirar o nome» da lista. É, pelo menos, o que parece indicar a persistência de quase 43 mil nomes na tal lista.
Imagine-se o que não aconteceria se as Finanças criassem uma lista com os faltosos que «fogem» com fortunas para paraísos fiscais, onde não pagam um chavo ao Estado português. Ia ser um corropio de pagamentos, só para «tirar o nome da lista»!

Mas essa lista o(s) Governo(s) não faz(em)...


À venda

A câmara municipal de Leiria aprovou, por maioria, a proposta para levar o Estádio Municipal, um dos palcos do Euro 2004 e construído de propósito para isso, a hasta pública pelo valor de 63 milhões de euros.
Notoriamente, a autarquia leiriense está com dificuldade em manter uma infraestrura daquela dimensão, à semelhança, aliás, de cerca de metade dos estádios construídos na mesma altura para o mesmo efeito.
Quem ganhou com esta bacoquice de se construir meia dúzia de estádios gigantescos que agora as respectivas autarquias não conseguem manter nem rentabilizar?
Quem ganhou, de certeza, foram as construtores que realizaram as obras. E duvido que mais alguém tenha ganho alguma coisa..

terça-feira, 7 de junho de 2011

Recriação em Matosinhos em 04/06/2011




Recriação Histórica das Invasões Francesas

Muitos dos forasteiros que visitavam o Senhor de Matosinhos estranharam o alarido provocado por uma coluna militar francesa que invadiu as principais ruas da Romaria, no passado dia 4 de Junho.

Liderados pelo Marechal Soult, os soldados de Napoleão saíram do acampamento montado nos jardins envolventes aos Paços do Concelho e desfilaram pelo Bairro dos Pescadores, Avenida D. Afonso Henriques e Praça Guilhermina Suggia, terminando o percurso no Adro da Igreja do Bom Jesus de Matosinhos.

No interior do templo, o Marechal Soult, em nome do Imperador, ofereceu ao Senhor de Matosinhos uma lâmpada em prata.

O episódio, recriado pela Câmara Municipal de Matosinhos, assinala os duzentos anos sobre as invasões francesas e a consequente ocupação da cidade do Porto e do Norte do país pelas tropas napoleónicas. Os acontecimentos remontam ao ano de 1809. A vinda do Marechal Soult, a figura mais importante do exército napoleónico, a Matosinhos constituiu, na altura, uma clara estratégia de propaganda. Com o intuito de apagar a imagem anticlerical que o exército francês possuía (celebrizada pelo saque às igrejas da região), o Marechal Soult tentou, com esta oferenda, agradar à população devota do Bom Jesus de Matosinhos. Todavia, o gesto não foi bem aceite pelos populares, dando origem a confrontos e apupos.

Segundo o historiador Joel Cleto, que, de resto, narrou os acontecimentos à medida que iam decorrendo, não existe, de facto, qualquer referência à oferta de uma lâmpada em prata por parte do Imperador Napoleão Bonaparte ao Bom Jesus de Matosinhos, nos registos paroquiais ou na Misericórdia.

Para Joel Cleto, tudo não terá passado de uma mera encenação pelo Marechal Soult, que “fez publicar folhetos dando conta da sua vinda, fez publicar um decreto em que anunciava a oferta da lâmpada e que tinha dobrado o salário ao sacristão, mas na prática foi mesmo só propaganda”.

A recriação histórica das invasões francesas em Matosinhos contou com a participação de mais de uma centena e meia de figurantes, entre os quais, colaboradores da Associação de Recriação Histórica de Arrifana e de grupos folclóricos e de teatro do Concelho de Matosinhos.

Esta iniciativa, já realizada em 2009, embora numa escala mais reduzida, é uma das reconstituições históricas que a Autarquia tem vindo a realizar, tais como o desembarque das tropas liberais na Praia da Memória ou os Hospitalários nos Caminhos de Santiago.

Esta recriação histórica das invasões francesas insere-se nas Festas do Senhor de Matosinhos e, como garantiu o Presidente da Câmara Municipal, Dr. Guilherme Pinto, será para "repetir todos os anos".

Presentes na iniciativa estiveram ainda o Vice-presidente da Autarquia, Dr. Nuno Oliveira, e o Vereador da Cultura, Fernando Rocha.