Inventor de Ilusões!
Finjo-me poeta, inventor de ilusões,
mágico de utopias
"fazedor" de alegrias
e deixo-me levar por vales verdes
da minha imaginação
em tropel, como cavalo alado!
Circundeio sonhos,
danço de mãos dadas com fantasias,
navego anseios,
flutuo sobre os sorrisos da vida
e voo feliz sobre trigais de paixões!
Abraço os raios translúcidos do sol,
que me invade a alma com seu ardor,
respiro maresias,
cavalgo ondas irrequietas de saudades,
escuto murmúrios
que se espraiam em espuma,
sussurra-me o luar,
doce melodia, de harpa estelar!
Sinto tudo o que penso, sem desalentos
em louca orgia de sentimentos
num turbilhão de emoções
porque me finjo poeta de ilusões.
Sou um homem, um jovem, um menino, sou a razão e a emoção, sou tudo e sou nada, sou carinho, sou apenas mais um e sou único... Assim como todos são... Ou não! Não me julgue, nem se achar que me conhece, pois realmente não me conhece, não se iluda, não dou garantias, não sou perfeito, não se assuste, algumas coisas são apenas máscaras do primeiro encontro, não se aproxime se já tem a idéia de se afastar
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
TODO FILHO É PAI DA MORTE DE SEU PAI
" Há uma quebra na história familiar onde as idades se acumulam e se sobrepõem e a ordem natural não tem sentido: é quando o filho se torna pai de seu pai.
É quando o pai envelhece e começa a trotear como se estivesse dentro de uma névoa. Lento, devagar, impreciso.
É quando aquele pai que segurava com força nossa mão já não tem como se levantar sozinho. É quando aquele pai, outrora firme e instransponível, enfraquece de vez e demora o dobro da respiração para sair de seu lugar.
É quando aquele pai, que antigamente mandava e ordenava, hoje só suspira, só geme, só procura onde é a porta e onde é a janela - tudo é corredor, tudo é longe.
É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa e não lembrará de seus remédios.
E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz.
Todo filho é pai da morte de seu pai.
Ou, quem sabe, a velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez. Nosso último ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta.
E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais.
Uma das primeiras transformações acontece no banheiro.
Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro.
A barra é emblemática. A barra é simbólica. A barra é inaugurar um cotovelo das águas.
Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora é um temporal para os pés idosos de nossos protetores. Não podemos abandoná-los em nenhum momento, inventaremos nossos braços nas paredes.
A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões.
Pois envelhecer é andar de mãos dadas com os objetos, envelhecer é subir escada mesmo sem degraus.
Seremos estranhos em nossa residência. Observaremos cada detalhe com pavor e desconhecimento, com dúvida e preocupação. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados. Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente?
Nos arrependeremos dos sofás, das estátuas e do acesso caracol, nos arrependeremos de cada obstáculo e tapete.
E feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia.
Meu amigo José Klein acompanhou o pai até seus derradeiros minutos.
No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os lençóis, quando Zé gritou de sua cadeira:e
— Deixa que eu ajudo.
Reuniu suas forças e pegou pela primeira vez seu pai no colo.
Colocou o rosto de seu pai contra seu peito.
Ajeitou em seus ombros o pai consumido pelo câncer: pequeno, enrugado, frágil, tremendo.
Ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável.
Embalou o pai de um lado para o outro.
Aninhou o pai.
Acalmou o pai.
E apenas dizia, sussurrado:
— Estou aqui, estou aqui, pai!
O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali. "
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Escrevo-te
Hoje, ainda, te escrevo
palavras que não irás ler
temperadas pelo sal da minha alma,
acalentadas pelo cálido suspiro do coração
que insiste em querer vencer a razão,
corroer a verdadeira voz do meu ser.
Perdida nos mistérios da noite
entrego-te as palavras mais brandas
que entre os dedos construí
- dançam no silêncio do olhar-
para me alimentar de ti,
rasgar esta saudade fria...
beber de cada palavra
o néctar do nosso amor.
Escrevo-te
para silenciar esta amargura
que trago no peito,
lateja no pensamento.
Escrevo-te...
silencio o mundo,
visto-me de ti
da cor do intenso desejo
que reluzia no teu olhar,
aqueço-me com o calor do teu abraço
permanecendo completa
na doce ilusão do teu enlaço
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