Sou um homem, um jovem, um menino, sou a razão e a emoção, sou tudo e sou nada, sou carinho, sou apenas mais um e sou único... Assim como todos são... Ou não! Não me julgue, nem se achar que me conhece, pois realmente não me conhece, não se iluda, não dou garantias, não sou perfeito, não se assuste, algumas coisas são apenas máscaras do primeiro encontro, não se aproxime se já tem a idéia de se afastar
terça-feira, 25 de junho de 2013
SOLIDÃO
A solidão era o pão que lhe alimentava os dias. Sentada à velha mesa de carvalho onde repousavam umas flores do quintal, num frasco de vidro deixava-se invadir por memórias antigas.
Como fora bonita na juventude! os rapazes da aldeia disputavam-na como abelhas em torno de mel. Havia quem dissesse ser a rapariga mais formosa das redondezas.
Casou com dezoito anos. António fora o eleito de seu coração. Um homem robusto e trabalhador que lhe dera dois filhos.
Viveram uma vida feliz; com muito trabalho agrícola que lhe vergara as costas, mas também do qual retirou satisfação.
Hoje vive dessas memórias. Dos tempos bonitos da juventude, do casamento de cinquenta anos, dos filhos amados e criados com amor e dedicação.
O marido falecera num acidente com um tractor. Sofrera. Mas tocara a vida para a frente, mulher de fibra, de garra ....quis ajudar a criar os netos. Quis apoiar nos estudos, para que fossem homens formados.
Consegui. A neta é arquiteta paisagista, o neto enfermeiro. Como se orgulha dos seus meninos...mas, sente saudades. Muitas saudades.
Os filhos aparecem ocasionalmente.
Suspira.
Olha através da janela e vislumbra as senhoras do centro de dia que lhe trazem o almoço.
são simpáticas, gosta delas. Há uma rapariga de olhos verdes que lhe faz lembrar a neta. Por vezes aparece à noite e fica ali segurando-lhe nas mãos nodosas da artrite e dando-lhe umas palavras amigas.
Depois tem de ir para casa, onde os pais a esperam para o jantar.
Deixa sempre um chá feito e uns bolinhos de aveia.
E ela quem a espera?!
A cama vazia e fria numa casa grande dominada por sombras, lembranças e solidão.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
DIVORCIO
Meus amigos separados não cansam de perguntar como consegui ficar casado 30 anos com a mesma mulher. As mulheres sempre mais maldosas que os homens, não perguntam a minha esposa como ela consegue ficar casada com o mesmo homem, mas como ela consegue ficar casada comigo. Os jovens é que fazem as perguntas certas, ou seja, querem conhecer o segredo para manter um casamento por tanto tempo. Ninguém ensina isso nas escolas, pelo contrário. Não sou um especialista do ramo, como todos sabem, mas dito isso, minha resposta é mais ou menos a que segue:
Hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar. Ninguém agüenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade. Eu, na realidade já estou em meu terceiro casamento – a única diferença é que casei três vezes com a mesma mulher.
Minha esposa, se não me engano está em seu quinto, porque ela pensou em pegar as malas mais vezes que eu. O segredo do casamento não é a harmonia eterna. Depois dos inevitáveis arranca-rabos, a solução é ponderar, se acalmar e partir de novo com a mesma mulher.
O segredo no fundo é renovar o casamento e não procurar um casamento novo. Isso exige alguns cuidados e preocupações que são esquecidos no dia-a-dia do casal.
De tempos em tempos, é preciso renovar a relação. De tempos em tempos é preciso voltar a namorar, voltar a cortejar, seduzir e ser seduzido. Há quanto tempo vocês não saem para dançar? Há quanto tempo você não tenta conquistá-la ou conquistá-lo como se seu par fosse um pretendente em potencial?
Há quanto tempo não fazem uma lua-de-mel, sem os filhos eternamente brigando para ter a sua irrestrita atenção?
Sem falar dos inúmeros quilos que se acrescentaram a você depois do casamento. Mulher e marido que se separam perdem 10 kg em um único mês, por que vocês não podem conseguir o mesmo?
Faça de conta que você está de caso novo. Se fosse um casamento novo, você certamente passaria a freqüentar lugares novos e desconhecidos, mudaria de casa ou apartamento, trocaria seu guarda-roupa, os discos, o corte de cabelo, a maquiagem. Mas tudo isso pode ser feito sem que você se separe de seu cônjuge.
Vamos ser honestos: ninguém agüenta a mesma mulher ou o mesmo marido por trinta anos com a mesma roupa, o mesmo batom, com os mesmos amigos, com as mesmas piadas. Muitas vezes não é a sua esposa que está ficando chata e mofada, é você, são seus próprios móveis com a mesma desbotada decoração.
Se você se divorciasse, certamente trocaria tudo, que é justamente um dos prazeres da separação. Quem se separa se encanta com a nova vida, a nova casa, um novo bairro, um novo circuito de amigos.
Não é preciso um divórcio litigioso para ter tudo isso. Basta mudar de lugares e interesses e não se deixar acomodar. Isso obviamente custa caro e muitas uniões se esfacelam porque o casal se recusa a pagar esses pequenos custos necessários para renovar um casamento.
Mas se você se separar, sua nova esposa vai querer novos filhos, novos móveis, novas roupas e você ainda terá a pensão dos filhos do casamento anterior.
Não existe essa tal “estabilidade do casamento” nem ela deveria ser almejada. O mundo muda, e você também, seu marido, sua esposa, seu bairro e seus amigos.
A melhor estratégia para salvar um casamento não é manter uma “relação estável”, mas saber mudar junto. Todo cônjuge precisa evoluir, estudar, aprimorar-se, interessar-se por coisas que jamais teria pensado em fazer no inicio do casamento. Você faz isso constantemente no trabalho, porque não fazer na própria família?
É o que seus filhos fazem desde que vieram ao mundo. Portanto descubra a nova mulher ou o novo homem que vive ao seu lado, em vez de sair por aí tentando descobrir um novo interessante par. Tenho certeza que seus filhos os respeitarão pela decisão de se manterem juntos e aprenderão a importante lição de como crescer e evoluir unidos apesar das desavenças. Brigas e arranca-rabos sempre ocorrerão: por isso de vez em quando é necessário se casar de novo, mas tente fazê-lo sempre com o mesmo par.
Como vê, NÃO EXISTE MÁGICA – EXISTE COMPROMISSO, COMPROMETIMENTO E TRABALHO – é isso que salva casamentos e famílias.”
terça-feira, 11 de junho de 2013
A MINHA NETA LEONOR.
Irei ensinar à minha neta Leonor o nome das flores silvestres, a afagar a terra com doçura entre as suas pequeninas mãos, a beber a água dos riachos e a dançar descalça na rua quando chove... a olhar as estrelas e a lua, a ouvir cantar em liberdade as cotovias, os melros, os grilos, sem esquecer os pássaros nos beirais das casas brancas da nossa terra...junto à lareira irei ler-lhe muitos livros e entre as searas de pão irei fazer-lhe uma coroa de malmequeres brancos e colocar-lhe nos seus cabelos castanhos.
terça-feira, 4 de junho de 2013
NO PAÍS DOS SACANAS
Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos os são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para poder funcionar fraternalmente
a humidade de próstata ou das glândulas lacrimais,
para além das rivalidades, invejas e mesquinharias
em que tanto se dividem e afinal se irmanam.
Dizer-se que é de heróis e santos o país,
a ver se se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é que foram disso?
Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência, a
justiça, a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.
No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é pelo menos dois.
Como ser-se então nesse país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma
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