segunda-feira, 11 de abril de 2011

Os economistas e a crise

Cansado de ouvir falar tanto de crise deixo-vos aqui esta mensagem que me foi enviada, que é pertinente e actual!

Dizem os economistas que o pão está caro, que o vinho está caro, que viver está caro, mesmo pagando a pronto, mas que, se for para morrer, ó meus amigos, fazemos um desconto.

Dizem os economistas que assim não tem jeito, que Deus nos acuda, que venha o Diabo e escolha, que o Carmo caia, que a Trindade expluda, que, como bons fiéis que somos, nos queixemos ao bispo a propósito dessa grande lambança, ou, isso que é bonito, vendamos os anéis, os dedos e a nossa esperança.

Dizem os economistas que a Terra é quadrada, a lei da gravidade uma fantochada, boa para ser revogada, que água mole em pedra dura tanto bate até que a água acaba ou, pelo menos, é tributada, por um cêntimo, por um triz, colaborando para o redimensionamento das dívidas do país.

Dizem os economistas que dois e dois são quatro e, se a plateia concordar, dizem isso outra vez e vão repetindo até o infinito ou até ouvirem, vindo não se sabe de onde, um grito dizendo que a conta agora dá cinco, obrigando-os a contratar uma empresa de auditoria, pertencente a uma tia, ou uma gorda senhora, ex-mulher de um conde, leitora de tarot, só para verificar e certificar qual o mais certo valor.

Dizem os economistas, de manhã, que não devemos nos preocupar, que se é certo que o preço da água vai subir, também podemos intuir que será irrisória a nova taxa sobre o ar e, assim, caridosos que são, quase todos nós vamos poder continuar a respirar.

Dizem os economistas, de noite, que as previsões falharam, que os dados ruíram, que os números mentiram, os cálculos tramaram, os papéis beberam, os gráficos fumaram e as contas fugiram com um malabarista de circo.

Dizem os economistas que não há luz no fim do túnel, que não há arco-íris no fim da estrada e, num rompante místico, que não há nada depois do nada, que tudo isso não passa de fado, sorte ou erro estatístico. É o que dizem, eles, os economistas. Até, claro, como sempre, darem o dito pelo não dito.

O que não dizem os economistas, no fundo, grandes humanistas, é que os lírios continuam a liriar todos os dias, mesmo que esse verbo ainda não exista. O que eles esquecem, só porque sim ou só porque não, é que nenhum sorriso cabe numa equação. O que eles não ouvem, e isso não é direito, logo torto, é que de poeta e de louco todos nós temos um pouco.

Amigos, deixemos os economistas a dizer. Deixemos os números a falar. Uma hora eles cansam de tentar nos convencer. Uma hora eles param de tentar nos massacrar.

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