quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Tenho vergonha, por viver num país onde constantes medidas de austeridade deixam diariamente marcas na economia e na vida dos portugueses. Tenho vergonha de ver que a cada dia que passa mais amigos perdem o emprego. Em 2011, foram eliminados 72,5 mil empregos e em 2012 outros 179 mil, sendo que para este ano o Banco de Portugal acredita que vão desaparecer mais 88.500 postos de trabalho de acordo com o seu boletim económico de inverno. Tenho vergonha por saber que as estatísticas estão distantes da realidade, e ainda assim os números anunciam que cerca de 92% dos jovens entre os 18 e os 24 anos que estão sem trabalho não recebem subsídio de desemprego, e que em Setembro, estava a ser atribuído subsídio de desemprego a 376.065 pessoas, das quais 14.502 tinham até 24 anos... os outros? Os outros emigraram... Tenho vergonha de ouvir o presidente da Cáritas garantir que muitas famílias estão a retirar os idosos dos lares, que estão a passar graves dificuldades, incluindo fome e a falta de dinheiro justifica a decisão... e os outros? Os outros vão morrendo em silêncio entre as suas quatro paredes... Suicidam-se cerca de 4 pessoas por dia, o suicídio mata mais do que a estrada, a “crise económica” é apontada como uma das possíveis causas do aumento dos suicídios e eu tenho vergonha que chamem “crise económica” às governações neo-liberais e à corrupção instituída que nos extermina. Em 2013, vamos pagar cerca de oito mil milhões de juros da dívida mas se o Banco Central Europeu emprestasse directamente dinheiro ao Estado Português, a um juro de 0,75 por cento, Portugal só pagaria cerca de 3.500 milhões de euros... este governo não aceita, mas quer reformar o Estado Social... O objectivo desta medida é retirar todos os direitos sociais às pessoas. Tenho vergonha de ser puta involuntária a quem os chulos que governam roubam o preço do seu salário para pagar uma dívida contraída pela má gestão, pela corrupção, pela vigarice de governos sucessivos ao longo de anos. Tenho vergonha porque mesmo assim o meu povo permanece inerte...

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