segunda-feira, 7 de março de 2011

Carnaval 2011



Lá porque estou a trabalhar! Não vou estar aqui a debater a razão pela qual esta festa onde se come, bebe e vive de forma irresponsável e se participa em alegres celebrações e numa busca incessante de prazeres efémeros deve ficar de fora dos meus planos - isto parece-me tão óbvio que o único motivo de espanto é que assim não seja também em outras ocasiões ao longo do ano; nem tampouco quero recordar as origens pagãs (onde é que já vimos isto?!) desta festa, rapidamente adaptada às diferentes culturas onde se instalou.
O que é mais uma vez evidente, é esta tendência humana de esquecer o mundo inteiro, ignorar propositadamente a realidade que existe à nossa volta, deixando-se embriagar por uma loucura por vezes fascinante que entope os sentidos, mas cujo conteúdo é por demais leviano e profundamente hedonista.
Ainda há poucas semanas, lamentávamos e chorávamos por uma catástrofe natural que, de um momento para o outro, arrastou centenas de pessoas para a morte. Constatamos novamente que neste mundo nada é certo e tudo se desmorona rapidamente sem termos tempo de reagir minimamente. Percebemos como a própria sobrevivência é por vezes a única coisa pela qual podemos lutar. E como é que reagimos a tudo isso? Simplesmente, escolhemos esquecer a triste condição humana na qual nos encontramos e nos entregamos a uma onda de euforia que, embora saibamos que logo passará, aceitamos como que para nos fazer acreditar que o mundo é sempre belo, a vida é totalmente garantida e, lá no fundo, tudo estará bem...
Mas, não estará.

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