A torre da igreja da minha terra, é a fonte de onde ecoam tristezas e alegrias, esperanças e desesperanças, emitidas pelo som dos seus sinos que anunciam a hora da missa, a hora da hora, os casamentos e as mortes, enfim coisas da vida.
A igreja da minha terra é linda como linda são todas as igrejas de centenas de pequenas terras do meu País. É soberba, imponente, e mais imponente fica, quando avistada de quase todos os cantos da minha terra, mas ela - sem vergonha e ao contrário - avista ela própria a Vila, as casa, os fiéis e infiéis com Deus e com os homens, e contempla em todos as suas vertentes - a hipocrisia dos hipócritas, a devoção dos devotos, a amizade dos amigos, a dignidade dos dignos e a indignidade dos indignos, o cinismo dos cíniscos, o desamor dos sem-alma.
A igreja da minha terra deslumbra, com sabedoria, os homens simples, dignos e comuns que são políticos na vida, e os políticos indignos que não são homens na vida. Ela contempla ainda - com o mesmo carinho e reverência - os que vieram de fora para ficar por opção, e os que nasceram aqui, e daqui partiram em busca de uma nova prespectiva de vida.
A igreja da minha terra é para mim mais que um simples e belo templo, é um regaço que embala, consola e anima. Como um regato, que mata a sede porque traz a "água que jorra para a vida eterna". A igreja da minha terra é como uma seara imensa, que espera operários sejam eles da primeira hora, da segunda, da sexta e até da nona.
Talvez sela por isso que o sol vindo lá da Serra da Freita - a primeira coisa que faz é dar uma lambidela na torre da igreja da minha terra, onde repousa, os seus raios, lentamente, de cima para baixo, até atingir as ruas e as casas e contemplar com o seu calor e carinho o povo da minha terra.
Ah, já me esquecia, a minha terra é Arrifana.
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